Sobre as declarações do governador Sérgio Cabral
Eu classifico insensata as declarações do governador do Rio Sérgio Cabral de defender a legalizaçãodo aborto como forma de conter a violência nas favelas do Rio de Janeiro. Como se todo pobre já fosse bandido antes mesmo de nascer.
Sou contra o aborto. Não é minha intenção discutir um assunto tão complexo e polêmico que envolve questões de natureza ética, moral e até Constitucional e que vai desde o critério médico-científico da definição de quando é considerado vida o feto dentro do ventre, passando pela liberdade da mulher sobre o próprio corpo e que acaba por culminar nos direitos que visam proteger seres humanos a partir do momento da sua concepção.
Respeito os diferentes pontos de vista acerca do tema, porém tenho os meus. No que tange a violência sabemos que o governador do Rio qunado assumiu a função , o caos já estava instalado. Portanto, ele não é o único responsável pela violência e escalada da criminalidade em seu estado. Ademais, a criminalidade é um problema que atinge principalmente as grandes cidades brasileiras.
No entanto, eu acho que sensatez é o mínimo que poderíamos esperar de alguém que ocupa um cargo público da envergadura do senhor Sérgio Cabral Filho (PMDB).
É claro que é preciso autoridade (não autoritarismo) para garantir a sobrevivência das instituições. Também faz-se necessário investimentos em segurança pública. Só que eu acho que para acabar com as pulgas não é necessário e sensato matar o cachorro.
Na minha opinião, muitos governantes precisam parar com esta coisa de empurrar com a barriga questões sérias como o da própria violência, da pobreza, da fome, da educação, entre outros. É preciso tratar a violência com mais seriedade e procurar combatê-la de forma inteligente.
Pensar no combate da violência através da violência é querer escamotear problemas sociais causadores deste mal. Na minha singela opinião, não podemos aceitar uma visão reducionista acerca de assuntos tão complexos como o da violência e da criminalidade, onde o crime se constitui numa das múltiplas facetas ( a mais grave e cruel) do problema.
Por outro lado, é bom que se diga que não é apenas a violência vermelha (sangrenta) que se constitui em violência, mas que também a miséria, a fome, a menina que se prostitui para ganhar sua sobrevivência, são formas também de violência. É de se supeitar que esta medida defendida pelo governador surtiria efeito, tendo em vista tantos problemas que ao longo de décadas nunca foram resolvidos- dengue, caos aéreo e por aí vai...
Pesquisas mostram que mulheres entre 9 e 12 anos de escolaridade ou mais, são menos propensas a gravidez indesejada, ou seja, existe uma relação direta entre educação e controle de natalidade.
Portanto, seria interessante que os governantes deste país pensassem no combate da violência através dos avanços das liberdades civis e individuais, e tivessem um planejamento de políticas de longo prazo para os problemas cruciais sérios e não apenas pensassem em políticas de curto prazo que, embora necessárias , são medidas paliativas e políticas compensatórias que são importantes para o país avançar, mas que se tenha mais planejamento. Tudo bem que tivemos alguns avanços nas áreas sociais, mas só medidas assistencialistas não resolvem.
Caso contrário, continuaremos a assistir o festival de barbáries e a construção de mais presídios colocando dentro deles uma mulher do tipo daquela que roubou um litro de leite de um supermercado para alimentar o seu filho, enquanto os protagonistas de escândalos como os do Proer, da Sudene, do mensalão e tantos outros continuarão a dar tapas na cara do povo brasileiro continuando livres como se não tivessem nada com isto.
Escrito por José luiz às 08h12
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