Pensando e Rabiscando


Constituição Cidadã... 20 anos depois

     

      Uma imensa multidão tomava ruas e praças clamando pela reconstrução do país com base em parâmetros democráticos.

      Nascia assim, depois de sacrifícios e perdas humanas, a chamada Constituição Cidadã que pretendia ser algo diferente das demais constituições que este país experimentara em outros tempos e que serviram para saciar os privilégios e ambições de poucos.

      Em um artigo denominado Réquiem para uma Constituição, o jurista Fábio Konder Comparato sentencia o seguinte: " Toda sociedade, em que a garantia dos direitos não é assegurada, não tem constituição" ( Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, art.16). "O poder constituinte pertence ao povo e somente a ele".

      No referido artigo, o jurista aponta também que a Constituição dos Estados Unidos criou o regime presidencial e que lá, diferente de cá, o equilíbrio dos Poderes republicano funciona harmoniosamente.

      Depois de vinte anos, a Constituição Cidadã continua em vigência até os dias de hoje. E isso é bom!

      Porém, na prática ela ainda não atendeu como deveria a imensa maioria do povo, apesar dos avanços apontados por aqueles que em um passado recente deflagravam bandeiras pelas avenidas e prometiam dias melhores para a maioria da população.

      São estes mesmos senhores que encontram-se hoje em palácios nababescos sendo cúmplices de práticas espúrias das quais condenavam no passado.

      Estes senhores, alguns deles, é claro, preferiram virar às costas para este povo que eles dizem representar através do poderes Executivo e Legislativo, mas continua este povo enfileirado nos corredores dos hospitais, pagando impostos e vendo o seu dinheiro escoar no ralo da corrupção, apinhado em favelas, gastando as solas dos sapatos em busca de trabalho com carteira assinada e lutando para preservar direitos consquistado às custas de muita luta e suor.

      Continua este povo trancado em condomínios de luxo protegendo-se através de muros altos e carros blindados, com medo de tornar-se o próximo alvo da violência que assusta a todos nos grandes centros urbanos.

      No rosto de um menino que vende chiclete no farol, está a marca do desânimo e cansaço diário, na árdua luta pela sobrevivência, quando muitos desses meninos não são recrutados pelo tráfico de drogas e pelo crime organizado.

      Enquanto isso, o povo assiste atônito a mais um caso de corrupção envolvendo políticos, mas também este mesmo povo que busca um lugar ao sol, está prestes a ouvir as inúmeras promessas dos mesmos políticos no horário eleitoral.

      Promessa de dias melhores...



Escrito por José luiz às 20h57
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