Pensando e Rabiscando


Uma noiva inconveniente

                            Porque o partido tentou derrubar o ministro da Saúde - e porque ele não caiu

      A tentativa de fritura do ministro da Saúde , José Gomes Temporão, por seu próprio partido deu uma boa idéia do crescente atrevimento do PMDB.

      Grande vencedora das eleições municipais e maior integrante da base governista, a legenda mostrou que é "uma noiva cara, assanhada, insaciável e dada a chiliques", nas palavras de Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo. Tudo começou quando Temporão criticou a "corrupção" e a "baixa qualidade" da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão do ministério que entre outras coisas cuida da saúde dos indígenas.

      As críticas de Temporão são adequadas, diga-se. A Funasa foi alvo de 157 auditorias e 83 sindicâncias em 2007. Este ano já passou por 149 verificações de irregularidades e 41 inquéritos. Em relação ao restante da população ela recebe quatro vezes mais dinheiro per capita para cuidar dos índios. Mas tem os piores resultados: a taxa de mortalidade entre crianças de até 5 anos no Brasil é de 5%: nas aldeias, 3,5%.

      A bancada peemedebista na Câmara, porém, que indicou o presidente da Funasa (Danilo Forte), irritou-se com as constatações do ministro e quis derrubá-lo. Na verdade o partido nunca aceitou que Temporão fosse contabilizado na sua cota de participação no governo, pois se trata de uma escolha do presidente Lula providencialmente apadrinhada pelo governador fluminense, Sérgio Cabral. Soma-se aí a tentativa de Temporão de interferir num tradicional feudo do partido- A Funasa - e pronto: a chapa esquentou.

      Lula garantiu seu pupilo no cargo. "Não sai. É meu ministro, afirmou. O PMDB recuou, temendo o olho grande do PT sobre a pasta. Depois de uma reunião entre Temporão e caciques do partido, o antes firibundo líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves, saiu falando em "grande ministro" e entendimento sobre a Funasa.

      Mas que entendimento é possível "quando se fala de corrupção e interferência"? perguntou Dora Kramer, de O Estado de S. Paulo. Para ela Temporão "se nivelou por baixo" e "ficou no prejuízo". Para o PMDB não poderia haver solução mais satisfatória. Não conseguiu se livrar de Temporão, mas pôde assistir com deleite à autodestruição de uma boa imagem de homem público que a partir de agora passa a integrar de corpo e alma os estatutos daquela gafie... quer dizer, agremiação partidária".

      Fonte: Revista da Semana

      http://revistadasemana.abril.com.br/

     



Escrito por José luiz às 19h17
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
  recanto das letras
  Sintonia
  Observatório da Imprensa
Votação
  Dê uma nota para meu blog