Uma das finalistas do Prêmio Vivaleitura 2008, a ex catadora de papel Vanilda de Jesus Pereira, 45 anos, é responsável por um acervo de 22 mil livros de uma Biblioteca da favela de Paquetá, em Belo Horizonte (MG).
Vanilda é filha de analfabetos, ela mesma só estudou até a 6a série . Aos 14 anos já trabalhava de babá para uma família. A patroa a demitiu após ver que ela lia um livro sem autorização.
Não fosse isso, talvez a vida de Vanilda não se transformasse. Acabou comprando o livro A Escrava Isaura, porque precisava saber como terminava a história.
Mais tarde, começou a ajudar crianças da região com o dever de casa e as doações de livros foram chegando em sua casa.
Hoje, no galpão onde funciona a Biblioteca ainda são dadas aulas de reforço escolar e para preparação para o vestibular, tudo com a ajuda de voluntários e empresas da região.
Da ex-patroa não guarda rancor algum e a vida, para mostrar como é sábia, fez da neta da mulher uma das voluntárias da biblioteca.
Quantas vidas Vanilda não mudou nestes 20 anos ? Quantas vidas tocamos ao longo da vida e de alguma forma, transformarmos? Quantas pessoas os tocaram e nos mudaram para sempre?
A ex-catadora diz que está fazendo a sua parte e deixa uma frase que martelou minha cabeça : "Se a gente for esperar pelo outro, as coisas não acontecem".
Seja gentil hoje, mesmo que o outro não seja. E se puder me fazer um agrado, doe um livro: para uma biblioteca comunitária, para a primeira pessoa que encontrar, para um amigo. "Esqueça" um livro em algum lugar, com um bilhetinho. E imagine quantas vidas mudaremos se esse livro nunca parar numa estante.
Texto extraido da coluna Gentileza Gera Gentileza do jornal Cruzeiro do Sul
http://www.jcruzeiro.com.br/
Escrito por José luiz às 20h19
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